Tendo trabalhado com acampamentos escolares na Espanha, em um ambiente como o de Handumanan (Bacolod, Filipinas), o trabalho vai muito além do lazer e exige muito mais proximidade e escuta ativa. Nossa relação com as pessoas tornou-se muito humana e consciente. Construímos um vínculo real; nos tornamos parte do seu cotidiano.
Como já éramos amigas, isso nos permitiu apoiar uma à outra muito melhor. O trabalho voluntário fortaleceu nossa amizade. Juntas, aprendemos a interpretar nossas emoções com mais clareza, a antecipar as necessidades uma da outra e a oferecer apoio mútuo. A experiência teria sido muito diferente se não tivéssemos uma à outra.
Saímos dessa experiência com uma perspectiva mais compreensiva e menos preconceituosa em relação a pessoas em situações de vulnerabilidade. O trabalho voluntário amplia a empatia. Não é apenas o que você oferece que importa, mas também o quanto você aprende. Você conhece a cultura; não a vê apenas de fora como um turista, mas a vivencia convivendo com as pessoas. E isso, depois de um tempo, transforma o seu coração.
Chegamos a Bacolod na noite de 25 de julho, após muitas horas de viagem. O grupo, composto por sete voluntários (Inés, Jana, Alejandro, Isabel, Luisa, Candela e Marta), vinha se preparando há meses, mas ainda assim era difícil imaginar como seriam as semanas seguintes. Roanne, nossa pessoa de contato local, e Roger, responsável pelo transporte, nos aguardavam no aeroporto.
Eles nos levaram para Handumanan. Os primeiros dias foram dedicados a conhecer o lugar, sua realidade e os espaços de colaboração: clínica, escola, campo de esportes, bairro.
De manhã, nos dividíamos em dois grupos: quatro de nós acompanhávamos as Servas de Maria em visitas domiciliares aos pacientes. Conhecíamos as famílias, e algumas visitas eram particularmente difíceis. Elas nos ajudaram a compreender melhor as pessoas e suas vidas reais.
Os outros três voluntários permaneceram na clínica, recepcionando pacientes, coletando informações, aferindo pressão arterial, fazendo o inventário dos medicamentos ou ajudando com qualquer outra coisa que fosse necessária. Nos revezamos para que todos pudessem aprender sobre os diferentes aspectos do projeto.
À tarde, íamos à escola para realizar oficinas e palestras sobre higiene, limpeza, relacionamentos saudáveis e outros temas adequados à idade. A cada dia, adaptávamos a programação e as atividades às necessidades que surgiam.
Depois dessas atividades, ficávamos na quadra esportiva até a hora do jantar. Era um dos nossos lugares e momentos favoritos. Jogávamos basquete e passávamos tempo com as crianças. Depois, algumas delas nos acompanhavam de volta para a residência, um pequeno gesto que se tornou rotina e do qual agora guardamos boas lembranças.
Houve outras atividades, como uma missão médica. Dolores, Luz, Sheela e Mercedes, vizinhas da residência, foram uma parte muito importante da experiência, pois compartilhamos trabalho, visitas e momentos do dia a dia com elas. Por fim, preparamos um jantar de despedida com elas e, claro, nossa omelete de batata era indispensável.
Também compartilhamos nossa fé com a população local. A música, a participação deles na Eucaristia e a maneira como a vivenciam são muito diferentes do que estávamos acostumados.
Na semana última pintamos um mural. Todos quiseram participar e, além do novo desenho, o que mais ficou foi a lembrança de termos feito isso juntos, todos nós.
Passamos um fim de semana em Sipalay, onde fizemos mergulho com snorkel, e em outras partes da Ilha de Negros. A comunidade religiosa, da melhor forma possível, e a equipe de Handumanan organizaram nossos horários e atenderam a todas as nossas necessidades.
De tudo isso, não nos lembramos de nenhuma atividade específica, mas sim das pessoas: as crianças que vieram nos buscar ou nos acompanharam de volta, as conversas espontâneas, as famílias que nos acolheram em suas casas, as freiras, a equipe da clínica e todos que compartilharam nossos dias conosco. Eles nos fizeram sentir parte da vizinhança.
O voluntariado não se baseia em grandes gestos, mas sobretudo em ouvir uma história, entrar numa casa, jogar basquetebol, pintar um mural, partilhar uma refeição, dedicar uma tarde e acompanhar-nos mutuamente na viagem de ida e volta. Obrigado por tudo o que isso significou e por tudo o que aprendemos.
























