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Inteligência artificial e coração pastoral: um diálogo possível

A palestra de Charo Fernández Aguirre convida a integrar a IA na educação sem renunciar ao acompanhamento humano como núcleo insubstituível da missão docente.
Charo Fernández

Na Aula Agostiniana 2026, Charo Fernández Aguirre abordou a relação entre inteligência artificial e educação a partir de uma perspectiva centrada na pessoa, defendendo o acompanhamento humano como valor essencial do educador.

Educar em tempos de IA: voltar ao centro

A palestra de Charo Fernández Aguirre, intitulada “Inteligência artificial e coração pastoral: um diálogo possível”, não começou falando de algoritmos nem de ferramentas digitais. Começou falando da pessoa.

Num contexto em que a conversa pública sobre a inteligência artificial costuma se concentrar na tecnologia — seus avanços, seus riscos, seus limites —, a palestrante quis mudar deliberadamente o foco: o centro da educação não é a ferramenta, e sim o ser humano.

A IA veio para ficar. Negar isso seria ingênuo. Mas assumir isso não implica ceder o protagonismo da tarefa educativa. Pelo contrário: exige reafirmar com mais clareza qual é o valor insubstituível do educador.

O acompanhamento não se automatiza

Charo destacou que a missão do docente continua sendo acompanhar, ajudar a discernir, alfabetizar criticamente e orientar a partir da inteligência humana. A tecnologia pode auxiliar, organizar, otimizar processos. Mas não pode substituir o olhar que compreende, a palavra que anima nem a presença que sustenta.

Nesse sentido, a inteligência artificial não deve ser vivida como ameaça, mas como ferramenta. Bem utilizada, pode potencializar o trabalho educativo: facilitar recursos, personalizar processos de aprendizagem, preparar melhor os alunos para o mundo em que já vivem.

A chave não é escolher entre pessoa ou tecnologia. A chave é ensinar a pensar com a tecnologia e, sobretudo, a pensar sobre a tecnologia. Formar critério. Educar em ética. Desenvolver senso crítico.

Transformar o medo em oportunidade

Um dos momentos mais significativos foi a capacidade da palestrante de acolher o medo presente em muitos docentes. Medo de ficar para trás. Medo de não dominar as ferramentas. Medo de serem substituídos.

Longe de minimizar essas inquietações, Charo as reconheceu e as transformou em ponto de partida. Esse temor pode se transformar em impulso. Não se trata de a IA substituir o nosso trabalho, nem de deslocar a vocação docente, mas de permitir que ela nos ajude a realizá-lo melhor. A tecnologia não substitui o coração pastoral. Ela o interpela. E, bem integrada, pode fortalecê-lo.

O que foi aprendido com o corpo docente

Ao final, a própria palestrante compartilhou o que ela mesma havia aprendido no encontro: a sensibilidade do corpo docente para compreender as mudanças que atravessam a educação e seu desejo constante de oferecer o melhor aos alunos.

Essa atitude — sair da zona de conforto, superar a preguiça, encarar o novo com responsabilidade — revela algo mais profundo do que uma adaptação técnica. Fala de vocação.

Nas equipes docentes, especialmente a partir de uma identidade educativa inspirada no carisma agostiniano, percebe-se um compromisso que vai além da eficiência: um carinho autêntico pelos alunos e uma vontade firme de acompanhá-los em seu crescimento integral.

Um diálogo necessário

A integração da inteligência artificial na educação não pode ser feita a partir de um entusiasmo ingênuo nem de uma rejeição temerosa. Exige discernimento.

O desafio não é tecnológico, mas antropológico e pastoral: como manter o acompanhamento pessoal como núcleo da educação em um ambiente cada vez mais automatizado? Que marcos de alfabetização digital precisamos para que a IA potencialize — e não enfraqueça — o pensamento crítico?

A resposta, como lembrou a palestrante, sempre começa pela pessoa. E ali, nenhum algoritmo pode substituir a presença de um educador que acompanha com inteligência e com coração.

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