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“Continuemos educando com inteligência e com coração”: encerramento da Aula Agustiniana de Educação

António Carrón, Aula agostiniana 2026

Frei António Carrón de la Torre, conselheiro geral e responsável pela Rede Educar, encerrou a XXXII edição agradecendo o compromisso docente e recordando que a pessoa deve estar sempre no centro.

“Obrigado”: uma palavra que nasce do coração

Às 12:08 horas, frei António Carrón de la Torre, conselheiro geral da Ordem e responsável pela Rede EDUCAR, foi o encarregado de encerrar a XXXII Aula Agostiniana de Educação.

As tuas primeiras palavras marcaram o tom da despedida: “Obrigado”. Uma gratidão que, como ressaltaste, nasce do coração após mais de três décadas de caminho compartilhado. Ano após ano, este encontro da família educativa agostiniana tornou-se um sinal de comunhão, visão compartilhada e impulso renovado para quem vive a educação como uma verdadeira vocação.

O conselheiro geral agradeceu especialmente o trabalho constante da comissão organizadora e a presença de quem viajou de longe para participar nesta edição, sublinhando o caráter internacional e fraterno da Aula.

Um contexto novo: inteligência artificial e magistério

A XXXII edição teve um matiz particular: celebrar-se num momento histórico em que a Igreja reflete ativamente sobre a inteligência artificial e as suas implicações éticas e sociais. Frei António recordou como o Papa insistiu em que, perante esta nova revolução tecnológica, a pessoa deve permanecer sempre no centro.

A inteligência artificial — afirmou — é um instrumento, uma ferramenta ao serviço do ser humano. E aos educadores corresponde uma tarefa decisiva: formar quem utilizará essa tecnologia.

“Não percamos o rumo: o importante é a pessoa, não a ferramenta”.

Durante estes dias, as distintas palestras mostraram que não estamos perante uma moda passageira, mas perante uma transformação profunda do modo de ensinar e aprender. O desafio não é decidir se a IA será utilizada ou não, mas como integrá-la pedagogicamente com responsabilidade, competência profissional e critério ético.

Inteligência artificial e coração docente

Retomando o lema da edição — inteligência artificial e coração pastoral —, frei António sublinhou que nenhuma tecnologia pode substituir a experiência humana do encontro.

Um algoritmo pode processar dados, mas não pode tocar o coração.
Uma ferramenta digital pode gerar conteúdos, mas só um mestre pode reconhecer um olhar inquieto.
Um sistema automatizado pode analisar resultados, mas só uma comunidade educativa pode formar pessoas livres, solidárias e abertas à transcendência.

A educação, recordou, não é mera transmissão de informação: é formação integral. Não é só técnica, é harmonia. Não é só inovação, é tradição viva que se transmite de geração em geração.

Desde a espiritualidade de santo Agostinho, o ensino nasce do coração inquieto que busca a verdade. Por isso, perante os avanços tecnológicos, a missão não é resistir à mudança nem absolutizá-la, mas discerni-la.

Três chaves para integrar a IA

Na parte final da sua intervenção, propôs três dimensões para integrar adequadamente a inteligência artificial nos nossos centros:

  • Educar para a IA, desenvolvendo competências críticas e éticas.

  • Educar sobre a IA, compreendendo o seu funcionamento e aplicações.

  • Educar com a IA, integrando-a como ferramenta que melhore os processos de ensino e aprendizagem.

Sempre, sublinhou, evitando “divinizar” as ferramentas e lembrando que o fundamento da missão educativa cristã é Jesus Cristo, caminho, verdade e vida.

O futuro escreve-se na sala de aula

O encerramento foi, mais do que um fecho, um envio. O futuro da educação não se decidirá unicamente nos laboratórios tecnológicos, mas nas salas de aula onde um docente continua a acreditar que cada aluno é único, irrepetível e chamado a algo grande.

“Continuemos educando com inteligência —concluiu— e continuemos educando com coração”.

Com esse horizonte, a XXXII Aula Agostiniana de Educação despede-se reafirmando o seu compromisso: integrar inovação e humanidade, técnica e ética, progresso e transcendência, sem perder nunca de vista que a pessoa é o centro e a razão de toda tarefa educativa.

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