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“O futuro da Cidade dos Meninos exige adaptação, criatividade e abertura à mudança sem perder a sua essência”

Leonardo Valverde é o administrador da Cidade dos Meninos há 15 anos. Entrevistamo-lo para saber mais sobre o projeto socioeducativo dos Agostinianos Recoletos na Costa Rica, aproveitando sua vasta experiência e em reconhecimento ao seu trabalho.
Leo Valverde, Cidade dos Meninos, Costa Rica.

O que significou para você colaborar com a Cidade dos Meninos durante quinze anos?

Tem sido uma jornada transformadora e repleta de experiências, um aprendizado constante e, acima de tudo, um período de crescimento espiritual, pessoal e profissional. Não foi apenas um trabalho, mas um caminho de vida. Deus me guiou, passo a passo, até que eu chegasse aqui neste momento preciso, e minha vocação não só foi confirmada, como também fortalecida.

Liderei projetos que se alinham com minha compreensão de serviço e liderança, que são parte integrante da minha identidade e da minha vocação. Tive a oportunidade de compartilhar tempo e experiências com muitas pessoas, desde o Presidente da República até as mais humildes. Testemunhei pais e jovens chorando e expressando gratidão pela transformação de suas vidas; vi como indivíduos com princípios e um futuro promissor são forjados.

Quando alguém descobre sua vocação e a vivencia em seu trabalho, os desafios são encarados com maior propósito; mesmo diante das dificuldades constantes, nada parece um fardo. Isso não significa saber tudo ou ter todas as soluções — pelo contrário: estou constantemente aprendendo a reagir melhor.

Quando você trabalha com paixão, uma atitude positiva e as habilidades certas, pode alcançar muito, mesmo com recursos limitados. É por isso que me sinto realizado e grato por esses quinze anos, e espero que venham muitos mais, se Deus quiser.

Finalmente, conheci muitos agostinianos recoletos. Aprendi algo com cada um deles, e alguns marcaram minha vida mais profundamente. Eles me aproximaram da interioridade agostiniana, ajudando-me a descobrir o fundamento da minha própria vida. Acessíveis e coerentes, fiéis ao Evangelho, com eles descobri o chamado para ser amigo do Mestre (João 15:15) e, como recomendava Santo Agostinho, para a verdadeira amizade. Aprendi a ver com maior compreensão e misericórdia, sempre colocando a pessoa no centro.

Como evoluiu a Cidade dos Meninos nesses quinze anos?

A evolução tem sido muito significativa em áreas como economia, pedagogia, acompanhamento e pastoral.

Assim, graças ao financiamento público, investimos em infraestrutura, equipamentos e talentos. Albergues, residências estudantis, oficinas, a escola e as instalações esportivas estão em melhores condições, e há mais recursos para aprimorar o treinamento. Temos uma equipe consolidada e comprometida, com estabilidade no emprego e melhores salários. Não apenas crescemos; crescemos sobre uma base sólida e sustentável.

Na área da educação, desde 2014 somos pioneiros na Costa Rica no modelo construtivista. Convencemos e capacitamos os professores, e os beneficiários o abraçaram de todo o coração. Hoje, o modelo está totalmente integrado à nossa identidade. Também investimos em tecnologias da informação com a rede de fibra óptica, fortalecendo os processos educacionais e o acesso ao conhecimento universal.

A Escola Técnica alcançou mais um marco ao se tornar a primeira no país a certificar suas oficinas de acordo com o Quadro Nacional de Qualificações. Já possuímos três certificações e estamos em processo de obtenção de mais três.

Em relação ao apoio integral, este foi reforçado nos últimos três anos. Estamos mais próximos dos beneficiários para compreender a sua realidade e contexto, e para lhes proporcionar apoio espiritual, emocional, social, educativo, de lazer saudável, desportivo e cultural de forma completa e concreta, sem nos desligarmos do contexto atual ou da realidade do jovem.

A dimensão pastoral tem sido e continua sendo um pilar fundamental. Através da formação em valores, do senso de comunidade e do acompanhamento espiritual, os jovens chegam a conhecer um Deus que lhes é próximo, o Mestre interior, como disse Santo Agostinho. A Família Agostiniana Recoleta reforça isso com seus valores carismáticos, que sustentam e equilibram toda a instituição e contribuem para o sucesso de sua oferta educacional.

O que você espera da Cidade dos Meninos nos próximos anos?

Deve continuar avançando com visão, ousadia e fidelidade à sua missão. Num contexto de mudanças constantes, crianças e adolescentes estão expostos a múltiplas distrações e a um fluxo de informações que influencia seu pensamento, seus relacionamentos e suas aspirações futuras.

Nesse contexto, a Cidade dos Meninos permanece na vanguarda, antecipando novos desafios educacionais e sociais. Os jovens e a sociedade exigem que ela se mantenha atualizada, mas sem perder de vista sua missão central. Olhando para o futuro, será essencial manter e reafirmar certos pilares fundamentais.

Dentre esses aspectos, destaco a formação integral, que forma pessoas com valores, critérios e senso de responsabilidade; o acompanhamento que permite compreender a realidade de cada um e apoiá-los em seu processo; a inovação pedagógica de uma abordagem construtivista e a integração da tecnologia como meio, sem perder o jovem como centro da aprendizagem; e a identidade agostiniana e recoleta, com a pessoa no centro, a interioridade, a comunidade e a busca da verdade.

Além de formar profissionais competentes, buscamos cultivar indivíduos íntegros, com valores sólidos, que contribuam positivamente para a sociedade. O futuro exige adaptabilidade, criatividade e abertura à mudança, sem jamais perder de vista nossos valores fundamentais.

A Família Agostiniana Recoleta deve refletir sobre seu papel na Cidade dos Meninos; os freis devem ter o perfil adequado para um projeto tão significativo, que merece o reconhecimento que conquistou. Os tempos em que os frades faziam tudo já passaram; agora, o papel de colaboradores comprometidos e evangelizados é fundamental, e os religiosos devem ser mais como pastores, próximos de suas comunidades, equilibrando espiritualidade e conhecimento técnico, inovação e fidelidade à missão.

Somente assim a Cidade dos Meninos continuará sendo uma referência educacional e humana para a Costa Rica, para a Igreja e para a Família Agostiniana Recoleta. Se compreendermos os tempos e nos adaptarmos, a Cidade dos Meninos continuará existindo por muitas gerações.

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