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Deixar-se cativar pelo Senhor: O Sim do Pe. Juan Carlos Palacios

O frade venezuelano Pe. Juan Carlos Palacios, ordenado sacerdote em 21 de março, compartilha seu caminho de fé como uma história vivida em comunidade, discernimento e amor, marcada pela experiência de deixar-se conduzir por Deus.
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Uma vocação que se faz em companhia

A história do Pe. Juan Carlos Palacios não começa em um momento extraordinário, mas em algo profundamente humano: o encontro com outros. Ao recordar seu caminho, ele não fala primeiro de decisões, mas de rostos, de companheiros, de história compartilhada.

“Tem sido uma experiência de nos conhecermos, de nos acompanharmos… somos uma equipe em silêncio: se um ganha, o outro também ganha”.

Aquela primeira convivência vocacional — na qual apenas dois jovens responderam — não foi um dado anedótico, mas o início de uma forma de viver a fé: juntos. Desde então, a vocação tem sido para ele uma experiência profundamente comunitária, onde o outro não é um acréscimo, mas parte essencial do caminho.

Em chave agostiniana, a comunidade aparece como o lugar onde a vocação se verifica. Não só sustenta, mas revela. Não só acompanha, mas forma. É ali onde a fé deixa de ser ideia e se converte em vida compartilhada.

Um processo que se deixa iluminar

Quando lhe perguntam sobre a origem de sua vocação, ele não oferece uma data, nem um momento concreto. Sua resposta rompe com a lógica do imediato:

“Mais do que uma experiência fundante, tem sido um processo… deixar que a luz de Deus mostre minha vida”.

Desde criança, sua inclinação para a fé foi tomando forma no cotidiano: a paróquia, o serviço, os grupos apostólicos. Não houve ruptura, mas continuidade. Não houve um “antes e depois”, mas uma história que foi sendo iluminada pouco a pouco.

Esse processo encontrou clareza ao descobrir seu lugar na Ordem:

“Quando conheci a Ordem, disse: é aqui onde devo estar”.

Mas mesmo esse “sim” não aparece como definitivo, mas como parte de um caminho que continua se abrindo. Discernir, em sua experiência, não é resolver, mas aprender a olhar a própria vida à luz de Deus.

Um sacerdócio que aprende a amar

Ao receber o sacerdócio, seu olhar não é o de quem chega, mas o de quem começa de novo. Longe de qualquer autossuficiência, reconhece com simplicidade: “Não sei de tudo… há muito a aprender”.

A partir daí, redefine o que significa viver o ministério. Não como função, mas como relação. Não como certeza, mas como caminho compartilhado. E o expressa com uma imagem profundamente significativa: “O povo de Deus é a raiz desta árvore… sem essa raiz, não daria fruto”. Em sua experiência, Deus não aparece no extraordinário, mas no concreto: “Deus está em meus irmãos, em minha comunidade, nas pessoas”. E essa certeza o levou a uma atitude interior que atravessa toda a sua vida: confiar. “Não são meus tempos, mas os Dele… não é do meu jeito, mas do Dele”.

Por isso, quando se dirige aos jovens, não oferece fórmulas, mas uma chave simples e radical: “Como se escuta a voz de Deus? Amando”. Porque, no fundo, toda a sua história pode ser resumida nessa experiência: deixar-se amar para poder responder. Deixar-se conduzir para poder servir. Deixar-se transformar para poder entregar a vida.

E assim ele mesmo o expressa, como síntese de seu caminho:

“Deixar-nos cativar pelo Senhor… e continuar sempre no desejo de amar”.

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