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ARCORES impulsiona a missão socioambiental na COP30

De 11 a 17 de novembro, representantes da ARCORES — a Rede Internacional de Solidariedade da família agostiniano-recoleta — participaram na COP30, celebrada em Belém do Pará (Brasil). A presença da Ordem nesta cúpula mundial sublinhou o seu compromisso com o cuidado da criação e a justiça ambiental.
COP30-Portada

Agostinianos Recoletos na COP30: presença missionária e compromisso com a casa comum

Os Agostinianos Recoletos fizeram parte da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP30), que reuniu delegações de quase 200 países em Belém do Pará. Juntamente com franciscanos, jesuítas, combonianos e outras congregações religiosas, membros da Rede ARCORES participaram ativamente nos espaços de diálogo e reflexão que acompanharam a agenda oficial da cúpula.

A participação da Vida Consagrada já é uma presença habitual nestes encontros globais, especialmente naqueles onde se debatem assuntos decisivos para o futuro da humanidade e do planeta. Nesta ocasião, a missão agostiniano-recoleta manifestou-se através do seu compromisso com a justiça ambiental e o seu desejo de contribuir, a partir do Evangelho, para a construção de um mundo mais sustentável.

Uma presença motivada pela espiritualidade agostiniana

A delegação da ARCORES tomou parte em diversas atividades paralelas às sessões diplomáticas, entre elas a Cúpula dos Povos Indígenas, conferências sobre a encíclica Laudato si’, e momentos de oração, escuta e reflexão partilhada. A presença agostiniano-recoleta sustentou-se numa convicção espiritual: cuidar da Terra não é unicamente um assunto político ou técnico, mas profundamente evangélico.

Santo Agostinho ensinava: “Possuamos as coisas terrenas sem deixar que elas nos possuam”. Esta máxima inspirou os encontros formativos e as intervenções nas quais a ARCORES sublinhou a importância de promover a ordem e a paz, entendidas como harmonia entre as criaturas, equilíbrio ecológico e justiça para os mais vulneráveis.

Uma missão que nasce do Evangelho

A participação na COP30 responde a três pilares fundamentais da missão agostiniano-recoleta:

  • A missão envia-nos para onde se discutem as grandes questões da humanidade.

  • A justiça ambiental é parte da justiça divina.

  • Promover a paz da criação é colaborar na construção do Reino de Deus.

A presença da família agostiniano-recoleta em Belém do Pará reafirma o compromisso da Ordem com a defesa da casa comum. Ali onde a vida do planeta se vê ameaçada, e onde os povos mais vulneráveis elevam a sua voz em busca de justiça, a Igreja é chamada a ser ponte, presença e esperança.

Cuidar da casa comum: uma responsabilidade partilhada

A ARCORES recordou que a crise climática afeta de maneira desproporcionada as comunidades mais pobres, um tema recorrente no trabalho pastoral e social da Ordem na América Latina. A escuta dos povos indígenas e a colaboração com outras congregações permitiram aprofundar um olhar integral e sinodal do cuidado da criação.

A participação na COP30 reforça as linhas de ação que a ARCORES impulsiona em distintos países: projetos de sustentabilidade, educação ambiental, promoção de energias limpas e acompanhamento a comunidades afetadas por desastres climáticos.

A arte como voz profética na COP30

Um elemento significativo deste contexto foi a intervenção artística realizada na Paróquia de São José de Queluz, em Belém. Um mural de 25 metros foi pintado pelo artista filipino A.G. Saño, junto ao cooperante Tagoy Jakosalem e o ecologista Yeb Saño, com a intenção de visibilizar as lutas ecológicas partilhadas entre a Amazónia e outros territórios afetados pela crise climática.

A obra, que integra imagens poderosas de espécies ameaçadas da Amazónia e motivos inspirados na vida comunitária, foi concebida como uma homenagem a quem defende a terra e como uma expressão visual de solidariedade entre povos. Também inclui referências simbólicas ao chamado do Papa Francisco e sua encíclica Laudato si’, cuja reflexão sobre a interdependência de toda a criação ganha força num momento como este.

Esta iniciativa artística não foi um ato decorativo: converteu-se num espaço de encontro entre crentes, defensores do ambiente, comunidades indígenas e cidadania em geral, convidando a uma conversão ecológica integral que transcende os discursos políticos e apela ao coração e à consciência de cada pessoa.

Um compromisso que continua

A presença da ARCORES na COP30 confirma a vocação da família agostiniano-recoleta de caminhar junto a quem defende a vida, o território e a justiça social. O trabalho iniciado em Belém continuará através de iniciativas locais e internacionais, sempre guiado pela espiritualidade agostiniana e o chamado do Papa Francisco a uma conversão ecológica integral.

Como afirma a missão da ARCORES: cuidar da casa comum não é só um dever; é parte essencial da nossa identidade e serviço à Igreja.

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