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As mulheres que Agostinho admirava

Santo Agostinho, um dos grandes Padres da Igreja, oferece sua perspectiva ao longo de seus escritos sobre as figuras femininas da Bíblia que, por meio de atos de fé, amor e coragem, servem de exemplo e lição. Nós as recordamos neste Mês das Mulheres.
As Virgens Insensatas e as Virgens Sábias, Pieter Lisaert. Museu do Prado, Madrid, Espanha.

Em suas obras, Santo Agostinho de Hipona (354-430) não apenas exalta a grandeza espiritual de muitas mulheres que aparecem nas Escrituras, mas também as apresenta como modelos de conversão e devoção.

Ele gostava especialmente de destacar as vidas que refletiam a misericórdia e a graça divinas. Nessas mulheres, Agostinho via a “encarnação” da mensagem cristã e uma capacidade especial de serem faróis de esperança e virtude para todos. Vejamos alguns exemplos:

As virgens prudentes (Mt 25,1-13). Agostinho as considera mulheres independentes que não precisam da aprovação de outros:

  • “[As virgens insensatas] procuravam o que era seu costume, isto é, brilhar com o óleo dos outros, sair à procura de elogios dos outros” (Sermão 93, 10).
  • “Isso significa levar o óleo consigo e não ter que comprá-lo dos mercadores, dos bajuladores. Pois os bajuladores vendem seus elogios como óleo aos tolos” (Cartas 140, 31.74)

A mulher samaritana (Jo 4,5-43) é o modelo de uma pessoa capaz de deixar o passado para trás e se abrir para um presente esperançoso e feliz:

  • “Ela deixou ali o seu cântaro. Deixou de si a luxúria e foi apressadamente proclamar a verdade” (Tratado do Evangelho segundo São João 15, 30).

A mulher cananeia (Mt 15:21-28) é um espelho no qual devemos buscar humildade e piedade:

  • “A mulher cananeia nos oferece um exemplo de humildade e um caminho de piedade. Ela nos ensina a ascender da humildade à grandeza” (Sermão 77,1)
  • “O que seus repetidos gritos não conseguiram obter, ela obteve por meio de sua humilde confissão” (Santa Virgindade 32, 32).

A mulher com hemorragia (Mc 5,25-34) é essa mulher, um exemplo de fé profunda, forte e enraizada:

  • “Outros oprimem, esta toca. Há muitos que oprimem o corpo de Cristo de forma irritante, poucos que o tocam de forma saudável” (Sermão 77, 6).
  • “Esse toque simboliza a fé. Aquele que crê em Cristo toca nele” (Sermão 243, 2)
  • “A sensação da única coisa que me tocou foi maior do que a da multidão me pressionando. A multidão sabe pressionar com facilidade. Se ao menos soubesse tocar!” (Sermão 375C, 6)

A viúva pobre (Mc 12,41-44) representa a imagem clara daqueles em quem Deus e Jesus verdadeiramente fixaram os olhos:

  • “Esta mulher entrou no templo com apenas duas moedas. Quem se dignou a olhá-la? Somente Aquele que, ao vê-la, não olhou para se sua mão estava cheia ou não, mas para o seu coração. Ele a observou, proclamou sua ação e, ao fazê-lo, proclamou que ninguém havia dado tanto quanto ela. Ninguém deu tanto quanto aquela que nada reservou para si mesma” (Sermão 105A, 1).
  • “Ela depositou tudo o que possuía. Ela tinha muito, pois tinha Deus em seu coração. É mais valioso ter Deus na alma do que ouro no tesouro. Quem depositou mais do que a viúva que nada guardou para si?” (Sermão 107 A).
  • “A viúva pobre comprou com duas moedas o mesmo que Pedro comprou abandonando suas redes, e Zaqueu comprou dando metade de seus bens. O céu vale tanto quanto você tinha.” (Comentário sobre o Salmo 49:13)
  • “A viúva que deu dois denários, semeou pouco? Tanto quanto Zaqueu. Ela tinha menos riquezas, mas a mesma vontade. Deu dois denários com o mesmo amor com que Zaqueu deu metade de seus bens. Se você observar o que eles deram, a diferença é clara; mas, se observar como o fizeram, perceberá que é a mesma coisa. Ela deu tudo o que tinha, ele o que possuía” (Comentário sobre o Salmo 125,11).

A mulher pecadora (Lc 7,37-39), por sua vez, soube reconhecer que o verdadeiro perdão só vem de Jesus:

  • “O cabelo de uma mulher é propriedade supérflua. Limpe-os com seus cabelos (os pés do Senhor), limpe-os completamente, mostre misericórdia como fez a mulher pecadora” (Sermão 99, 13).

Um exemplo paradigmático é o caso de Marta e Maria (Lc 10,38-42), suas amigas de Betânia, e como Jesus recorda que uma delas era aquela que sabia ver e escolher a melhor:

  • “Nessas duas mulheres estão representadas duas vidas, a presente e a futura; uma laboriosa e a outra ociosa; uma infeliz e a outra feliz; uma temporal e a outra eterna” (Sermão 104, 4).
  • “O que Marta estava fazendo era certamente necessário, mas temporário: coisas para a viagem, não ainda coisas próprias do céu; ela estava preocupada com a viagem, não ainda com o que iria possuir” (Sermão 255, 2)
  • “Maria escolheu a contemplação, escolheu viver pela Palavra. Como será viver pela Palavra sem palavras? Ela agora vive pela Palavra, mas por meio de palavras faladas. Haverá outra maneira de viver pela Palavra, mas sem palavras faladas. A própria Palavra é Vida” (Sermão 169, 17).
  • “Ele não diz que a parte de Marta é ruim, mas enfatiza que a parte de Maria é a melhor, e não lhe será tirada.” (Trindade 1, 10,20)
  • “Marta pensava em como alimentar o Senhor; Maria, em como ser alimentada por Ele. Marta preparava um banquete para o Senhor; Maria já desfrutava do banquete do Senhor” (Sermão 104, 1).
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