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“O missionário deve livrar-se da presunção de querer fazer grandes coisas ou de se sentir o salvador e a solução para tudo”

Luis Amílcar Reyes Juárez (Dulce Nombre de Culmí, Olancho, Honduras, 1975) é um missionário agostiniano recoleto na Amazônia. Neste Ano Missionário Agostiniano Recoleto e no centenário da missão Lábrea, ele fala sobre os desafios do trabalho missionário.
Luis Amilcar Reyes, missionáro agostiniano recoleto.

Acredito que seja importante para os missionários terem uma vocação pessoal focada no esforço e no aprimoramento pessoal. A missão de toda pessoa religiosa sempre foi e sempre será um desafio, exigindo dedicação, renovação e fortalecimento na vida comunitária.

Pela minha experiência, após oito anos de serviço nesta missão de Lábrea (Amazonas, Brasil), posso dizer que os desafios de viver a vida consagrada e comunitária na Prelazia de Lábrea são variados e provêm de diferentes áreas.

Por exemplo, em alguns aspectos, a missão permanece a mesma de antes, sempre desafiadora: a pobreza generalizada complica tudo e prestar assistência às comunidades ribeirinhas e aos povos indígenas é especialmente difícil, dadas as distâncias e o isolamento.

Esse mesmo isolamento fomenta uma certa indiferença entre nosso povo em relação a questões sociais e religiosas. No que diz respeito à experiência religiosa, isso é agravado pela atração pela teologia neopentecostal da prosperidade. Muitos acabam “acreditando” nesse sistema que mistura materialismo e religião e tantos outros preconceitos sociais.

Em algumas áreas, as coisas melhoraram: onde antes eram comuns remos e os típicos motores de rabeta, lentos e ineficientes, agora se veem muitos motores de alta potência. A infraestrutura, as instituições e a comunicação também evoluíram. Lembro-me de quando cheguei aqui, a internet era muito lenta; agora é como em qualquer grande cidade brasileira.

Nesse contexto, o missionário não é um líder, nem um médico, nem um construtor, nem a mente que resolverá todos os problemas. Ele é uma pessoa que precisa de tempo para se adaptar, e abandonar a presunção de querer fazer muitas coisas ou grandes coisas, ou de se sentir o salvador de todos e de tudo.

É necessário caminhar ao lado do povo com humildade e compartilhar suas lutas e sofrimentos. Isso exige fé e confiança, amor e dedicação ao povo, inculturação e adaptação a essa realidade concreta, um espírito missionário forte e profundo, pobreza e desapego, e um toque de aventura.

Sempre me impressionou o exemplo daqueles missionários que, onde quer que fossem, sabiam se virar e, discretamente e sem alarde, se dedicavam ao máximo e davam tudo por amor a esse povo, a essa missão.

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