Cerca de 150 religiosos de diferentes idades, origens e contextos refletimos, por meio de conferências, oficinas e espaços de diálogo e oração, sobre as circunstâncias em que os planos de pastoral vocacional e dos jovens são desenvolvidos hoje.
A questão central é, em si mesma, desafiadora e até provocativa, especialmente quando direcionada ao diálogo comunitário: “O que acontece quando Deus nos responde?” Nós, que compartilhamos a oração diária, percebemos que Deus responde precisamente quando ousamos escutar juntos, examinar nossos caminhos e planos, permitir que sejamos desafiados como comunidade?
Deus nunca deixa de falar às nossas comunidades, através de suas diversas presenças, apoiadas em seus esforços por tantas pessoas que as sustentam e nos ajudam a interpretar o que o Espírito sussurra nas profundezas de nossos corações. Nossas comunidades não são apenas espaços acolhedores, mas verdadeiros espaços teológicos onde Deus fala a muitos hoje. Será que realmente temos consciência disso?
O convite para avaliar nosso trabalho com jovens ressoou profundamente em mim. Partimos do princípio de que o que sempre fizemos ainda é válido, mas será que realmente atende às necessidades, feridas e esperanças dos jovens de hoje? Uma avaliação honesta, livre de nostalgia e ansiedade, baseada na verdade, é uma das maneiras mais autênticas de ouvir a resposta de Deus. Talvez não se trate de inventar coisas, mas de permitir que a realidade nos desafie, nos fale, nos confronte… e nos evangelize.
Examinemos também o nossa pastoral vocacional. Modelos que funcionaram em outros tempos, contextos ou países podem não necessariamente dar frutos aqui e agora. Cada situação é única, com seus próprios desafios. Aprendamos a incorporar nossa identidade com criatividade, humildade, atenção e ousadia evangélica. Não hesitemos em usar novas linguagens e espaços, novas formas de acompanhar aqueles que estão em discernimento vocacional.
O ministério vocacional não é responsabilidade exclusiva do promotor ou de uma equipe específica, nem de uma pastoral isolada. A vocação desperta onde os jovens encontram fraternidade, alegria, constância, oração e serviço: ou seja, em comunidades vibrantes. Todos nós somos responsáveis por difundir uma cultura vocacional através do nosso modo de viver, amar, servir e crer. Cada um de nós, a partir do seu próprio lugar, é um mediador de Deus para os outros.
Após as Jornadas, tenho mais perguntas do que respostas, mas também mais paz: confirmei que Deus nunca deixa de responder; estamos ouvindo com atenção? Crescer na fé, tanto pessoalmente quanto em comunidade, significa caminhar juntos, discernir juntos, cometer erros juntos, recomeçar juntos… Mesmo em meio às nossas fraquezas, Deus continua a chamar, continua a sonhar e continua a nos acolher por meio do nosso carisma e espiritualidade.
Sou grato por esta reflexão compartilhada. Espero que possamos construir comunidades onde as vocações surjam naturalmente como fruto do testemunho de uma vida dedicada à oração, à fraternidade e a uma fé profundamente evangélica. Quando Deus responde, quase sempre o faz por meio de rostos concretos, histórias reais e comunidades que creem que Ele nunca deixa de agir no coração dos jovens.
“Senhor, nosso Deus, que o clamor da tua voz alcance muitos…”













