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A Recoleção Agostiniana, uma escola de amizade; a amizade, uma escola de vida.

Diante da pressa, da fragmentação, da dificuldade de formar laços profundos ou relações meramente funcionais, a amizade surge como uma necessidade humana e espiritual urgente. Santo Agostinho e os Recoleção propõem a amizade como verdade, fraternidade e encontro.
A Recoleção Agostiniana, uma escola de amizade.

Fazer amigos é difícil hoje em dia. Os contatos se multiplicam, mas os laços são escassos; as redes de contatos crescem, mas os relacionamentos enfraquecem. Mas nada preenche o vazio da falta de amigos: você pode ter todo o sucesso do mundo e acreditar que o mundo está aos seus pés, e ainda assim se sentir muito sozinho.

A amizade brota das profundezas do coração como resposta à solidão existencial. Com ela, a vida se torna suportável; onde ela está ausente, o vazio é insuportável. Os amigos escutam-se, encorajam-se, confiam uns nos outros, complementam-se, não se julgam e não se diminuem. Santo Agostinho disse isso em um de seus sermões (299 D1): “Neste mundo, há duas coisas necessárias: saúde e um amigo”.

A amizade enriquece todos os aspectos da vida. Quando existe um relacionamento próximo dentro da família, onde as experiências são compartilhadas, as pessoas ouvem, a comunicação é de alta qualidade, os erros são reconhecidos e o perdão é oferecido, isso proporciona uma valiosa experiência de aprendizado para as crianças, ensinando-as a construir relacionamentos saudáveis e amigáveis.

Na escola, todos os membros da comunidade educativa podem beneficiar-se do tempo que lhes é dedicado, da escuta atenta e do interesse demonstrado pelos sonhos e ansiedades uns dos outros. Essas relações amistosas fomentam o respeito, a confiança e o afeto. O ambiente deve ensinar os alunos a conviverem e a encontrarem o seu lugar na sociedade.

Em estilo cristão, agostiniano e recoleto.

Jesus não era um mestre distante. Ele promovia a convivência, tomava a iniciativa, dialogava e estendia a mão aos excluídos — a todos. Seu convite para viver em fraternidade revela sua pedagogia da amizade: “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18,19-20).

Incansável buscador da verdade, Agostinho de Hipona, ao encontrá-la, compreendeu que não poderia vivê-la na solidão. Ela só se completa quando compartilhada; não é uma posse exclusiva, mas um bem comum: “Precisamos dos outros para sermos nós mesmos” (Comentário sobre o Salmo 125,13).

A amizade agostiniana é uma forma elevada de amor: livre, pessoal e altruísta. Como filósofo, ele distingue entre falsa amizade (egoísta ou prejudicial); amizade incompleta (fechada para Deus); e verdadeira amizade, que compartilha bens espirituais, as grandes questões e a busca sincera pela verdade — uma amizade que ele preza acima de todas as outras: “Ame o seu amigo, mas não ame os seus vícios” (Sermão 49,6).

Agostinho fala da relação entre amizade e fraternidade. Somos irmãos por natureza, compartilhamos a mesma linhagem; mas a amizade é uma escolha livre, cada um de nós decide quem são seus amigos.

A Recoleção Agostiniano tem um compromisso claro e exigente com a vida comunitária, não apenas pela necessidade humana de comunhão, mas também como um caminho privilegiado para viver em amizade com Deus. A comunidade religiosa não é simplesmente uma organização ou uma solução funcional, mas o fruto de uma vocação, uma resposta ao chamado de Deus para um modo de vida específico.

A vida comunitária é uma escola de amizade, onde a fraternidade que existe desde o início, com o tempo, progride para uma experiência mais alegre e profunda: “Ter uma só alma e um só coração voltado para Deus” (Regra 1,1).

Uma comunidade precisa de regras e estruturas, a estrutura externa para a convivência; mas o que é decisivo reside na estrutura interna: cuidado mútuo, senso de pertencimento, trabalho em equipe e responsabilidade compartilhada. Quando isso acontece, o Salmo 132 se cumpre: “Como é bom e agradável quando o povo de Deus vive unido!”

Diante do individualismo e da solidão, a vida agostiniana recoleta evoca aquele provérbio africano: “Se as aranhas se unirem, podem amarrar um leão”. A amizade, vivida e cultivada, é uma força transformadora que pode vencer o monstro do egoísmo triste e solitário. A comunidade agostiniana é esse espaço onde a amizade é aprendida e cultivada, sem sacrificar um grama de liberdade: “Nas coisas necessárias, unidade; nas dúvidas, liberdade; e em todas as coisas, caridade”.

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