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“Sonho com uma JAR consciente da sua identidade, unida na diversidade e aberta à missão, um espaço para processos pessoais autênticos”

Héber Hermosillo (Chihuahua, México, 1988) foi membro da JAR, depois coordenador e conselheiro do movimento juvenil Recoleto na Paróquia de Cristo Sumo e Eterno Sacerdote de Chihuahua e atualmente é membro da Equipe Internacional da JAR.
Juventude Agostiniana Recoleta, JAR.

O que significa para você ter acompanhado a JAR por tantos anos?

Acompanhar a Juventude Agostiniana Recoleta (JAR) por tantos anos tem sido uma dádiva, uma verdadeira bênção de Deus. Atualmente, sou conselheiro e elo de ligação da Equipe Internacional da JAR, mas nunca vi meu papel no movimento da juventude recoleta como um cargo ou uma mera responsabilidade, mas sim como uma oportunidade de compartilhar o que vi e ouvi — minha experiência com Deus que me leva a buscá-Lo em comunidade.

Ao longo dos anos, aprendi a ouvir mais, a respeitar o tempo de cada processo e a confiar que Deus age mesmo quando não vejo resultados imediatos; também aprendi que liderança não se trata de impor ideias, mas de cuidar das pessoas e dos processos, manter a esperança e ajudar os outros a descobrirem sua própria vocação.

Pessoalmente, a JAR me proporcionou uma família, amigos, comunidade, um senso de pertencimento e uma maneira muito concreta de vivenciar minha fé no dia a dia.

Acredito que a JAR México se caracteriza hoje pela disposição de seus membros em não se contentarem com uma fé superficial. São jovens sensíveis à amizade, ao serviço e à constância de vida, e, portanto, muito exigentes consigo mesmos no que dão e recebem. Apesar das fragilidades e limitações que a realidade impõe, eles têm um profundo desejo de construir comunidade e viver sua fé com alegria e comprometimento.

A equipe internacional da JAR acaba de se reunir na República Dominicana. Qual foi o objetivo do encontro?

Vivenciei este encontro com gratidão e senso de responsabilidade. Do meu ponto de vista, era meu papel contribuir com a experiência do México e ouvir e aprender com outras realidades, sempre com vistas à unidade. Esses encontros anuais são essenciais para caminharmos na mesma direção, compartilharmos boas práticas e discernirmos juntos os próximos passos; e nos permitem acelerar projetos que, devido às obrigações diárias, tendem a ficar estagnados.

Esses encontros nos reconectam com a visão fundadora da JAR, um movimento internacional com identidade e missão compartilhadas, mas vivenciado em contextos diferentes. As dinâmicas são diversas e muito enriquecedoras. Essa diversidade exige diálogo, sair da nossa zona de conforto e buscar o essencial. É uma das maiores forças da JAR.

3. A Equipe Internacional disponibilizou materiais de treinamento comuns. Quais foram as consequências disso?

Elas foram bem recebidas, mas sua aplicação tem sido irregular. Onde havia uma base sólida de treinamento, elas foram valorizadas e usadas com eficácia, mas não conseguimos fazer com que chegassem a todos com a mesma clareza, nem alcançamos ampla conscientização e uso.

O desafio reside não apenas nos materiais em si, mas também na compreensão da lógica e do propósito da jornada educativa. As JAR não são organizar atividades e ler documentos, mas um processo pedagógico e espiritual com etapas, ritmos e objetivos. Se essa visão holística não for abraçada, os materiais não serão utilizados em todo o seu potencial.

Contudo, quando o itinerário é compreendido, os materiais não só são utilizados de forma mais eficaz, como também são enriquecidos, adaptados e incorporados às necessidades de cada local. Esta tem sido uma das principais lições da equipe: não basta simplesmente produzir materiais; é essencial apoiar a sua compreensão, apropriação e adaptação. Ainda há um longo caminho a percorrer nesta área.

Em quais desafios, tarefas e objetivos a Equipe Internacional da JAR está focada atualmente?

Nossa prioridade é nutrir e fortalecer a identidade da JAR, garantindo que a jornada da JAR não seja apenas conhecida, mas também compreendida como um processo holístico e vivenciado como tal. Precisamos de um compromisso mais genuíno e contínuo tanto dos conselheiros religiosos quanto dos leigos.

Quando o significado profundo do Itinerário JAR é desconhecido, os grupos estagnam ou acabam “gravitando” em torno de um líder, sem consolidar os processos de crescimento humano, cristão e comunitário; o foco se reduz a “fazer coisas”, sem uma dimensão formativa e continuidade.

Existem grupos que se identificam como JAR, mas que não possuem uma conexão real com o movimento, apoio adequado ou uma direção que os ligue à nossa experiência da Igreja e da Família Agostiniana Recoleta. Buscamos fortalecer a responsabilidade compartilhada no acompanhamento, esclarecer papéis e ajudar aqueles que prestam apoio a compreender seu serviço como um elemento fundamental para processos autênticos e sustentáveis.

Até o próximo Capítulo Geral, que ocorrerá daqui a dois anos, estamos revisando os materiais, as estruturas e as dinâmicas para que a boa vontade se torne verdadeiramente um processo mais claro e compartilhado, fortalecendo a identidade e nos tornando uma verdadeira escola de fé, comunidade e missão.

Como está sendo planejada a próxima Jornada Mundial JAR?

Um dos projetos que estamos preparando com o maior cuidado e alegria é o próximo JMJAR na Ásia, no contexto da Jornada Mundial da Juventude em Seul (2027), uma oportunidade muito significativa para encontros, abertura a outras culturas e fortalecimento do sentimento de pertencimento.

As distâncias e a logística representam um desafio significativo, e é por isso que estamos planejando isso com cuidado e responsabilidade. Deve ser encarado como parte de uma jornada pessoal, e não apenas como mais uma viagem exótica. Os detalhes serão fornecidos no anúncio oficial, mas as comunidades locais da JAR já podem começar a se organizar, sonhar juntas e encontrar maneiras de participar. Esperamos que muitos tenham essa experiência transformadora de fé, comunidade e missão, deixando uma marca indelével em suas vidas e comunidades locais.

Como é oferecido apoio às JAR que passam por crises e dificuldades?

Qualquer crise exige, acima de tudo, escuta, proximidade e respeito. Não existem soluções prontas; precisamos compreender cada história específica, as feridas, o cansaço e as expectativas frustradas. Quando os jovens buscam, fazem perguntas ou reclamam, é um sinal positivo que demonstra seu interesse genuíno e seu desejo de vivenciar o carisma. Essa insatisfação nasce da intuição de que esse carisma possui um valor imenso; ele exige profundidade e compromisso radical.

Uma das chaves para revitalizar um movimento juvenil é retornar ao essencial: comunidade, amizade, oração e acompanhamento pessoal e coletivo. É crucial também cuidar daqueles que oferecem esse acompanhamento, pois muitas crises surgem do esgotamento, da solidão ou da falta de apoio e orientação.

Quando uma crise é compreendida como um chamado à conversão e ao discernimento, abre-se a possibilidade de recomeçar com maior clareza e verdade. Um acompanhamento próximo, paciente e esperançoso permite-nos recuperar o significado, a profundidade e a perspectiva.

Que futuro você vislumbra e deseja para a JAR?

Sonho com uma comunidade JAR vibrante, um verdadeiro lar onde se possa encontrar a si mesmo, aos outros e a Deus, onde fé, vida e compromisso se integrem de forma coerente e profunda. Sonho com processos de formação sólidos, com assessores bem preparados e comprometidos.

Sonho com uma JAR como espaço privilegiado para o discernimento, onde se possa ouvir livre e corajosamente o chamado de Deus, onde se aprenda a tomar decisões importantes com base na fé, sem medo e com apoio constante. Uma JAR como um terreno fértil para vocações consagradas e leigas, com uma vida responsável e dedicada em paróquias, missões, educação ou em qualquer lugar onde haja um irmão ou irmã necessitado.

Sonho com uma Família Agostiniana-Recoleta cada vez mais consciente de sua identidade, unida na diversidade e aberta à missão, com uma JAR que valorize suas raízes agostinianas e recoletas e que tenha a audácia de responder aos desafios dos jovens com criatividade, profundidade e esperança.

E tudo isso não como um objetivo imposto, mas como fruto natural de processos bem conduzidos e de uma experiência autêntica do carisma agostiniano recoleto.

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