O Papado de Pio XI (1922-1939) foi de um grande incentivo às missões, dentro de uma conceição de “conquista de almas para Deus”. As novas missões se encomendavam diretamente às congregações religiosas. Durante os seguintes 50 anos os Agostinianos Recoletos seriam oficialmente os encarregados do território, sendo o prelado da mesma Ordem e fazendo que ele dependesse do que a Ordem religiosa pretendesse e aceitasse.
A Igreja no Brasil cresce e se expande, mantendo um relacionamento próximo com o Estado. A Constituição de 1934 declara oficial a religião católica. Havia grandes instituições de caridade, escolas e hospitais e movimentos sociais e sindicais. Mesmo assim, a Igreja ficou marcada por um conservadorismo e apego ao poder.
A II Guerra Mundial devolveu à Prelazia o crescimento demográfico por causa do segundo ciclo da borracha. Não trouxe melhoras, e depois de 1945 houve outra importante queda na economia da região com agravamento dos problemas sociais.
Em 1952 começa a destacar a figura de dom Hélder Câmara por sua defesa da justiça social. Dois anos depois, em 1954, foi criada a CNBB. São os primeiros passos de uma visão que se acrescenta com o Concílio Vaticano II, convocado em 1963. Chegou com ele a renovação pastoral, uma compreensão mais profunda da identidade e missão da Igreja, que os prelados fossem autônomos na organização da Missão, a chegada de novas Congregações missionárias e o novo papel dos leigos…
Com Paulo VI (1963 a 1978) se aplicou já abertamente o Concílio: apertura ao mundo, diálogo, serviço, renovação litúrgica, novo jeito de entender a missão, fortalecimento da Doutrina Social da Igreja. Em 1964 é realizada a primeira Campanha da Fraternidade na Quaresma, uma marca da Igreja do Brasil com a proposta da conversão social.
No período do regime militar (1964 a 1985) grandes figuras da Igreja no Brasil se fazem presentes como modelos para a Igreja Universal: Hélder Câmara, Paulo Evaristo Arns, Pedro Casaldáliga, Aloísio Lorscheider… Todos foram perseguidos por defender os direitos humanos, a justiça social, indígenas e ribeirinhos, agricultores rurais, pobres e vulneráveis. Contribuíram grandemente à democratização do Brasil.
Em 1968 foi realizada a Conferência da Igreja Lationamericana em Medellín (Colômbia). Surgiram com força as comunidades eclesiais de base (CEBs) e, na prática pastoral, uma visão mais integral da fé (sociedade, economia, cultura, política). Surge a “opção preferencial pelos pobres”, e a “opção pela juventude”. As seguintes Conferência do CELAM acrescentarão na mesma linha.
Em 1972 teve lugar o Encontro de Santarém (Pará) para aplicar os acordos do CELAM. Foi muito determinante para a Prelazia de Lábrea, com a participação do bispo, Florentino Zabalza. Nesse 1972 nasce o Conselho Indigenista Missionário e em 1975 a Comissão de Pastoral da Terra, em plena ditadura. Tem marcado a história da Amazônia desde uma visão da fé transformadora da realidade. Na Prelazia se abraçaram com mais força nos anos 80.
O Papado de João Paulo II (1978 a 2005) foi longo e contraditório para a Igreja, com uma mistura de avanço na missão, carinho do povo pelo Papa e secularização das sociedades, aumento de neopentecostalismo (ate representar mais do 31% dos brasileiros hoje), questionamento da linha libertadora e certa onda de conservadorismo e clericalismo.
Cresceu a polarização dentro da Igrejas mas a CNBB conseguiu aprovar planos pastorais de conjunto com suas Diretrizes Gerais para a Evangelização.
Com Bento XVI (2005 a 2013) continuou a Igreja enfrentando uma profunda crise interna e externa, com posturas enfrentadas, desinformação e polarização dentro da Igreja, igual acontecia na sociedade.
Em 2007 o CELAM se reúne em Aparecida (São Paulo) com o tema “Discípulos missionários ao serviço do Reino da Vida”. A Igreja procura assim deixar de estar voltada para dentro, buscando números, visibilidade, prestígio ou poder social.
Francisco (2013 a 2025), o primeiro Papa latino-americano, retomou as grandes linhas do Vaticano II: volta ao evangelho, a Jesus, ao Reino, a uma Igreja povo de Deus, sinodal, em saída, com rosto de misericórdia, dialogante, preocupada com o cuidado da Casa Comum, com a justiça, com os pobres e vulneráveis.
A Igreja promove uma economia para e por as pessoas, uma educação para a fraternidade, a amizade social entre os povos, culturas e religiões. Uma Igreja promotora de esperança no meio de grandes dificuldades, crises, guerras e mudanças tecnológicas.
A Igreja Católica no mundo, no Brasil e na Prelazia tem hoje, durante o Papado do agostiniano Leão XIV, o desafio de lidar com sociedades tecnocráticas, com o poder de influenciar e até de tirar importância ou substituir a real experiência religiosa, o sentido de comunidade cristã.
A Pastoral da Iniciação à Vida Cristã quer pessoas comprometidas dentro de uma comunidade viva, anúncio e compromisso, transformador da vida interna da pessoa e da sociedade que todos construímos.
























