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Mulheres indígenas: uma associação em Lábrea reativa sua liderança e fortalece a Ecologia Integral

Na missão de Lábrea, que já tem 100 anos, a Igreja defende uma ecologia integral que permite às populações tradicionais, indígenas e ribeirinhas preservar o seu modo de vida e o bioma que o torna possível.
Associação de Mulheres Indígenas do Médio Purus. Lábrea, Amazonas, Brasil.

Um grupo de mulheres indígenas de diversas aldeias do município de Lábrea (Amazonas, Brasil) decidiu unir forças para reativar a Associação de Mulheres Indígenas do Médio Purus. Seu objetivo é fortalecer seu modo de vida e cultura e dar visibilidade à liderança feminina nessa região do Médio Purus, afluente do rio Amazonas e via de união da Prelazia de Lábrea, onde os Agostinianos Recoletos atuam há 100 anos.

As mulheres vieram de diferentes terras indígenas demarcadas. Unir seus esforços significa não apenas defender seus direitos como mulheres, mas também fortalecer sua própria cultura indígena, da qual elas são as principais transmissoras.

A Associação explorará maneiras de promover a autonomia econômica das mulheres por meio do artesanato ou da agricultura. Além disso, ajudará a superar alguns dos desafios que as mulheres enfrentam em suas comunidades e na sociedade brasileira em geral, como a violência contra a mulher, a insegurança territorial em comunidades indígenas e sua participação ainda insuficiente nos espaços públicos, políticos e de tomada de decisão.

Na região de Purus vivem diversos grupos étnicos, como os Apurinã, Jamamadi e Paumari, alguns dos quais têm contato com a sociedade não indígena, e outros em situação de semicontato ou nenhum contato, mas que compõem e completam o mosaico cultural indígena da região.

A resiliência das mulheres indígenas está enraizada no cotidiano de suas aldeias, no cuidado com a terra e na transmissão de sua língua e cultura. Unindo-se, elas podem encontrar maneiras mais eficazes de defender as mulheres e a identidade indígena.

A Associação está avaliando os próximos passos, que serão sua regularização jurídica, a definição da nova coordenação e o desenvolvimento de um plano de ação para responder às necessidades mais imediatas, como capacitação política, geração de renda e coordenação com outros parceiros institucionais.

A ideia é ir muito além do simples exercício administrativo de um direito associativo. Para essas mulheres, trata-se também de um gesto coletivo de coragem e esperança. Os povos indígenas, seu modo de vida, sua cultura e seus territórios enfrentam ameaças constantes; mas essas mulheres reafirmam seu papel fundamental na construção de um futuro digno e na defesa de um modo de vida ecologicamente correto, que seja um exemplo de coexistência e ecologia holística entre seres humanos, fauna e flora, água e mudanças climáticas.

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