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“Nosso trabalho é acompanhar, treinar e semear esperança entre aqueles que foram privados de sua liberdade”

Amanhã, domingo, 14 de dezembro, é o Jubileu do sistema prisional, uma realidade oculta para a sociedade, mas repleta de humanidade e esperança. Conversamos com Isabel Escartín, especialista e atuante nessa área pastoral.

Isabel Escartín iniciou seu trabalho no ministério prisional como voluntária na Paróquia de Santa Mônica dos Agostinianos Recoletos em Saragoça (Aragão, Espanha). Ela decidiu dedicar seu tempo e coração a acompanhar os encarcerados.

Ao longo dos anos, esse compromisso a levou a ser delegada do Ministério Prisional da Diocese de Saragoça por mais de dez anos, uma missão que transformou sua perspectiva e sua vida.

O Jubileu Peregrinos da Esperança 2025 lembra que a misericórdia de Deus não conhece muros nem grades. Através do Ministério Prisional, a Igreja está presente em um lugar onde a esperança jamais deve se extinguir, levando luz e reconciliação.

Este tempo jubilar de graça é uma oportunidade para olhar com novos olhos para estes nossos irmãos que sofrem privação de liberdade por más decisões do passado, para construir pontes com eles e para acreditar que um novo começo cheio de esperança é possível para todos, com apoio e acompanhamento.

Por que você decidiu trabalhar na área  e o que você fez como agente pastoral prisional?

Meu primeiro contato com o sistema prisional foi a trabalho: trabalhei como enfermeira substituta no Centro Penitenciário de Torrero, em Saragoça. Na época, encarei como apenas mais uma experiência, semelhante a trabalhar em hospitais ou em locais onde fiz trabalho voluntário, como o Congo ou Calcutá. Não era nada extraordinário; era simplesmente cuidar de pessoas com necessidades de saúde, como qualquer outra pessoa.

Anos mais tarde, ao passar pela Paróquia de Santa Mônica, vi um cartaz anunciando uma reunião sobre a realidade das prisões. Entrei, participei e, como costumo ser muito ativo, alguém me convidou para uma reunião no dia seguinte no Governo de Aragão.

Lá, estavam discutindo a situação dos presos com mais de 75 anos e das pessoas com doenças mentais. Devo ter contribuído com algo, porque me escolheram e me pediram para trabalhar na área da saúde mental nas prisões de Aragão. Minha resposta foi sincera:

— “Sou parteira, posso assistir a partos, mas não sei nada sobre saúde mental.”

E eles me responderam:

— “Vai, que você se vira e consegue.”

E assim foi. Pouco depois, juntamente com o Dr. José María Civeira, um psiquiatra sábio e generoso, e outra pessoa então responsável pelo Ministério Penitenciário, sentamo-nos num parque em Madrid para conceber um curso de saúde mental para presídios. Era o ano 2000.

Esse curso continua sendo ministrado em prisões em Aragão e outras partes da Espanha. Desde então, nosso trabalho tem consistido em apoiar, capacitar e incutir esperança naqueles que mais precisam.

Gostaria de destacar especialmente o programa que vem sendo realizado todos esses anos pela Paróquia de Santa Mônica, de visitar os detentos internados na área penitenciária do Hospital Miguel Servet.

O que essa experiência com o sistema prisional significou para você?

Essa experiência marcou profundamente a minha vida. Estou convencida de que as prisões são o lugar onde Deus queria que eu estivesse. Sem Jesus Cristo e o Evangelho, minha vida seria sem sentido e muito diferente… Honestamente, não gosto do que vejo quando imagino minha vida sem Ele. O Evangelho tem sido a luz que guiou cada passo neste caminho.

O Jubileu da Esperança é precisamente isso: um convite para semear a esperança. Para aqueles que foram privados da sua liberdade, significa abrir a possibilidade de um futuro melhor neste mundo e, sobretudo, a certeza de uma “vida após a morte” em Cristo.

Para nós, que trabalhamos com pessoas encarceradas, isso nos lembra que nossa missão diária é oferecer-lhes esperança, tanto humana quanto espiritual. Estamos comprometidos com isso.

Minha visão sobre a prisão não mudou muito em todos esses anos trabalhando em presídios. As pessoas lá cometeram crimes, do mesmo jeito que todos nós pecamos, e agora precisam se redimir e se curar. Embora a prisão seja vista de forma muito negativa por aqueles que sofrem lá dentro, acredito que pode ser um espaço de cura: muitos encontram Deus e a si mesmos lá. Vi isso com meus próprios olhos e acredito firmemente nisso.

Sem esperar nada especial ou novo do Jubileu, confio que Deus concederá a graça da conversão e da esperança, tanto aos detentos quanto a nós que os acompanhamos, e que essa luz também alcance o mundo inteiro.

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