O Santo Padre, primeiro Papa agostiniano, celebra em Annaba e incentiva a “renascer do alto” como preparação para sua próxima visita
O Papa Leão presidiu nesta terça-feira, 14 de abril, a Eucaristia na basílica de Santo Agostinho, em Annaba (Argélia), a antiga Hipona, em uma celebração de forte significado espiritual para toda a família agostiniana. A missa, celebrada como Eucaristia votiva de Santo Agostinho, reuniu fiéis e religiosos, entre eles frades da Ordem de Santo Agostinho, com a presença de seu Prior Geral, o padre Joseph Farrell.
Neste lugar emblemático, onde Santo Agostinho viveu seu ministério episcopal, o Santo Padre — primeiro Papa agostiniano da história — proferiu uma homilia centrada no chamado à unidade e na necessidade de “renascer do alto”, um convite que ressoa com especial força na preparação de sua próxima visita à família agostiniano-recoleta.
“Renascer do alto”, um chamado para a Igreja
Partindo do diálogo entre Jesus e Nicodemos (cf. Jo 3), o Papa Leão recordou que a vida cristã nasce da ação de Deus: «vocês têm que renascer do alto». Essa exigência, longe de ser um peso, é — explicou — um dom da graça que abre para uma vida nova.
Nesse contexto, o Pontífice citou Santo Agostinho em duas ocasiões, sublinhando a primazia de Deus na vida do crente: «Dá-me o que ordenas e ordena o que quiseres» (Confissões, X, 29, 40), e «Nada seria eu, meu Deus, nada seria eu absolutamente se tu não estivesses em mim; mas não seria melhor dizer que eu não seria de modo algum se não estivesse em ti?» (Confissões, I, 2).
Da mesma forma, evocou o processo de conversão do bispo de Hipona, acompanhado pelas lágrimas perseverantes de sua mãe, Santa Mônica, como sinal de uma fé que sustenta a esperança.
A unidade como critério de vida cristã
O núcleo da homilia foi marcado por um forte chamado à unidade. Inspirando-se nos Atos dos Apóstolos (cf. At 4,32-37), o Papa destacou que a primeira comunidade cristã “tinha um só coração e uma só alma”, indicando que essa comunhão não se baseia em acordos humanos, mas no amor de Deus.
Essa unidade — sublinhou — se concretiza na vida partilhada, na caridade e na capacidade de colocar os bens a serviço dos outros. Assim, a Igreja se torna sinal de esperança no mundo: onde há desespero, acende esperança; onde há miséria, devolve dignidade; onde há conflito, promove a reconciliação.
Uma mensagem em tom de preparação
As palavras pronunciadas em Hipona adquirem um significado particular para a família agostiniano-recoleta, que se prepara para a próxima visita do Santo Padre. O chamado a renascer do alto se traduz em um compromisso concreto de comunhão, vida fraterna e testemunho evangélico.
O Papa Leão convidou os cristãos a serem uma presença humilde, mas significativa, comparando-os ao incenso que, mesmo sendo pequeno, difunde sua fragrância e eleva o coração a Deus.
Um “momento muito especial” na terra de Santo Agostinho
Ao concluir a celebração, o Santo Padre agradeceu a acolhida recebida e qualificou a viagem como “um momento muito especial que Deus permitiu”, destacando o valor simbólico de um Papa agostiniano celebrar a Eucaristia na cidade de Santo Agostinho.
Em suas palavras finais, pediu a misericórdia de Deus “para que todos possamos juntos reconhecer e caminhar pelo caminho da justiça, da paz e da comunhão”.
Unidade para a missão
Da terra de Hipona, o Papa Leão ofereceu uma mensagem clara: a Igreja é chamada a se renovar a partir de Deus, vivendo a unidade como sinal visível do Evangelho e como condição para a missão.
Essa mensagem se torna horizonte e preparação para a visita do Santo Padre, convidando toda a família Agostiniano-Recoleta a caminhar em comunhão e esperança.
El Papa León invita a “renacer de lo alto” desde la unidad en la basílica de San Agustín
