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Manuel Beaumont: “Sem maturidade humana não pode haver maturidade espiritual nem uma sã vida em comum”

O padre Manuel Beaumont tem sessenta e cinco anos de idade e é licenciado em psicologia pela Universidade de Valencia. Dia 16 de abril foi eleito pelos religiosos da província de Nossa Senhora da Consolação como Prior Provincial para os próximos três anos. Diante de si tem o desafio de reorganizar a presença dos agostinianos recoletos no Panamá, Guatemala, República Dominicana e Espanha.
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Padre Beaumont era, no momento de sua eleição, vigário da província e diretor do colégio Agostiniano de Madri, ao qual dedicou quase vinte anos de sua vida. Além da educação o novo provincial trabalhou na formação, principalmente no filosofado e teologado de Torrent (Valência, Espanha). Com satisfação responde nossas perguntas para o sitio web da Ordem.

P.- Qual tem sido o objetivo principal assinalado pelo Capítulo Provincial para o novo triênio?
R.- Dinamizar nossa vida espiritual e afrontar com determinação um projeto global de reestruturação que nos ajude a viver nosso carisma e cumpri-lo na Igreja e na sociedade nossa missão.

P.- Como se pode dinamizar a vida espiritual das comunidades?
R.- Se tivéssemos a chave não daríamos tantas voltas ao redor do mesmo problema capítulo após capítulo. Continuamos sem saber qual é chave, apesar disto afetar a todas as ordens e congregações. Em minha opinião, a vida espiritual comunitária, precisa estar assentada em bases humanas de maturidade, equilíbrio, serenidade, respeito às diferenças, capacidade de diálogo, etc. Sem elas vejo ser muito difícil que se dê a qualidade pedida por nossas relações fraternas e intercomunitárias. Logo, portanto, deveríamos viver nossas relações a partir da visão evangélica da caridade. Se o amor de caridade estivesse presente em cada religioso e em cada comunidade viveríamos o «cor unum» e desapareceriam os individualismos, as “acomodações”, os imobilismos, as depressões e os desencantos que se dão em alguns religiosos e que são indícios de uma baixa qualidade de vida.

Menos religiosos

P.- Que supõe a reestruturação da Província?
R.- Responder a esta questão seria uma ousadia de minha parte. A Comissão Pre-capitular estudou e apresentou propostas ao Capítulo. Este não deu resposta – como costuma acontecer quando se trata de questões complicadas – deixando a decisão ao Prior Provincial e seu Conselho. Por que o Capítulo, e eu, o vemos complicado? Porque somos poucos religiosos, com mais idade e os mesmos ministérios. A solução, uns a vêm no fechamento de ministérios; outros em fazer um melhor remanejamento do pessoal, evitando «acomodação». Logo, a reestruturação deverá vir após fazer um estudo sério da situação de cada casa e das nações em que vivemos; e também em função de objetivos: viabilidade, incidência pastoral, realização comunitária, manutenção econômica, promoção vocacional… será necessário buscar soluções e tomar decisões que sempre serão traumáticas para alguns.

Farol de esperança

P.- Como pode contribuir o próximo capítulo geral a que os religiosos vivam com renovado espírito o carisma agostiniano recoleto, a vida comunitária e a missão evangelizadora?
R.- O capítulo geral deve ser um farol de esperança. Mas estou convencido que, se cada província não estabelecer as bases que citadas antes, tudo não passará de belos projetos. Na verdade, o papel de um capítulo geral deveria facilitar meios para que cada província busque essa ansiada qualidade na vivência do carisma agostiniano-recoleto; essa vida comunitária de qualidade e essa ilusão evangelizadora. Eu pediria ao capítulo geral, que alente e facilite aos religiosos e comunidades, o valor, a audácia, a criatividade e a santidade do fundador, como resposta aos sinais dos tempos que surgem no mundo de hoje.

Maturidade pessoal

P.- Você foi formador. Que aspectos precisariam ser enfocados na formação inicial e permanente dos religiosos?
R.- Na seleção e formação dos candidatos à vida religiosa, creio que deveríamos ser exigentes no que é básico. Volto à importância de trabalhar com as bases humanas para, ao mesmo tempo, construir uma personalidade equilibrada no âmbito material e espiritual. Uma espiritualidade que se queira viver sem estar preparado para a vida comunitária, sem equilíbrio da afetividade, sem maturidade pessoal,… está fadada ao fracasso pessoal e ao mal-estar das comunidades. Quanto à formação permanente, há muitos meios e possibilidades para consegui-la. Em nosso caso será preciso estabelecer um plano de formação prática e realista para não ficar em grandes projetos irrealizáveis.

Relevo leigo

P.- Nos colégios está ocorrendo uma mudança que concede maiores responsabilidades aos leigos. Que importância tem a formação dos professores para, a partir de um ideário agostiniano, responder aos desafios da evangelização?
R.- A pergunta já contém a resposta. Se a valorização dos leigos não estiver acompanhada da formação específica para o governo e naquilo que é próprio nosso, não terão autoridade frente a seus próprios companheiros e corre o risco de transmitirem tão somente qualidade instrutiva, em detrimento da qualidade educativa e, sobretudo, em detrimento da missão evangelizadora. Não nos esqueçamos que nós, os religiosos, temos vocação evangelizadora; eles, ao contrário, não a professaram. Logo, o desafio, para um tempo não muito distante, é muito importante; e penso que não podemos deixar de lado nenhum meio que facilite a formação específica para postos de direção e a formação geral no referente ao que é próprio de nossos centros (educativos) agostinianos. (Num futuro não muito distante será necessário recorrer aos nossos Capítulos, e isto não pode nos causar surpresa). Assim nos consideramos o futuro de nosso apostolado educacional na evangelização da cultura.

P.- Quais são seus desejos como prior provincial?
R.- Que Deus me dê saúde, ânimo e ajuda para poder responder aos desafios e inquietudes que o Capítulo traçou e confiou que eu os possa levar à prática. Espero que meus irmãos religiosos me ajudem nessa tarefa; sem eles e sem a ajuda de Deus nada poderia fazer.

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